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Habitação: Portugal no topo da Europa e no fundo das soluções

POLÍTICA SOCIAL

O preço das casas disparou 16,5% em Portugal no segundo trimestre — o maior aumento de toda a União Europeia. Enquanto o país sobe no ranking dos preços, continua a cair no ranking das respostas políticas. A crise da habitação tornou‑se o espelho de uma fragilidade estrutural: governos que prometem, mercados que avançam, cidadãos que ficam para trás.

A crise portuguesa: quando a promessa não chega ao tijolo

Entre abril e junho, Portugal registou +16,5% no preço das casas face ao ano anterior — mais do que Bulgária (+15,5%) e Lituânia (+14,3%). Ao mesmo tempo, países como Finlândia (-2,7%), Luxemburgo (-2,2%) e França (-0,8%) viram descidas.

O padrão repete‑se trimestre após trimestre:

  • 24 países da UE tiveram aumentos;
  • Portugal está sistematicamente entre os maiores;
  • As rendas também sobem: +3% na UE, +0,7% face ao trimestre anterior.

E Portugal? Promessas desde 2015, reforçadas por governos seguintes, planos sucessivos, anúncios de “virar a página”. Mas a página não virou. O mercado continua a ditar regras, e o Estado continua a reagir tarde — ou a não reagir.

O contraste nórdico: quando o Estado é também senhorio

A diferença não está apenas na política — está na estrutura da oferta.

Percentagem aproximada de habitação pública ou cooperativa colocada no mercado:

  • Suécia: ~22%
  • Dinamarca: ~20%
  • Noruega: ~15%
  • Portugal:<3% (incluindo parque municipal e IHR)

Nos países nórdicos, o Estado e as cooperativas são atores centrais no mercado:

  • Garantem oferta estável;
  • Regulam preços através da presença direta;
  • Criam alternativas reais ao mercado especulativo;
  • Mantêm rendas acessíveis para jovens, famílias e idosos.

Em Portugal, o Estado é um espectador. Com menos de 3% de oferta pública, não tem capacidade para influenciar preços — apenas para comentar a sua subida.

O problema não é técnico — é político

Não é crível que sucessivos governos “não saibam” como resolver o problema. Os modelos existem. Funcionam. Estão documentados. São aplicados há décadas na Europa do Norte.

O que falta não é conhecimento. É vontade política para enfrentar interesses instalados, alterar o equilíbrio do mercado e assumir que a habitação é um bem público — não apenas um ativo financeiro.

Portugal lidera nos preços das casas — e falha nas soluções. O que os nórdicos já fazem há décadas.

A crise da habitação não é inevitável — é o resultado de escolhas. Os países nórdicos escolheram proteger quem procura casa. Portugal escolheu proteger quem especula com ela.

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