Portugal é o único país do mundo com um Anjo da Guarda próprio — uma tradição espiritual antiga, ligada à missão histórica do país e até às aparições de Fátima. No Dia de Portugal, esta história quase desconhecida ganha novo sentido: lembra-nos que a identidade portuguesa sempre se construiu entre a coragem dos homens e a proteção silenciosa do divino.
Portugal sob a proteção de um Anjo
No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, celebramos uma história feita de encontros, desafios, fé e esperança. Entre as muitas singularidades da nossa identidade nacional existe uma que poucos povos podem reivindicar: Portugal é o único país do mundo que possui uma festa litúrgica própria dedicada ao seu Anjo da Guarda.
A devoção ao Santo Anjo da Guarda de Portugal remonta a séculos de tradição. Acredita-se que este mensageiro de Deus acompanha e protege a nação portuguesa ao longo da sua história, inspirando os seus governantes, sustentando os seus missionários, fortalecendo os seus santos e amparando o povo nas horas mais difíceis. A sua memória litúrgica, celebrada em Portugal, recorda-nos que a construção de uma nação não depende apenas das forças humanas, mas também da ação discreta da Providência divina.
Ao longo dos séculos, Portugal levou a fé cristã aos quatro cantos do mundo. Missionários, navegadores, religiosos e leigos partiram das nossas praias levando consigo não apenas a língua e a cultura, mas também o Evangelho de Jesus Cristo. Esta vocação missionária faz parte da alma portuguesa e ajuda a compreender a proteção especial que a tradição atribui ao Anjo de Portugal.
Esta presença torna-se ainda mais significativa quando olhamos para a Mensagem de Fátima. Em 1916, antes das aparições de Nossa Senhora, os três Pastorinhos receberam a visita daquele que se apresentou como o “Anjo da Paz” e o “Anjo de Portugal”. Foi ele quem preparou os corações de Lúcia, Francisco e Jacinta para acolherem a mensagem que Maria lhes confiaria no ano seguinte.
Nas aparições do Anjo encontramos um verdadeiro programa espiritual para Portugal e para o mundo: adoração a Deus, reparação pelos pecados, oração pela paz e confiança na misericórdia divina. As palavras ensinadas aos Pastorinhos continuam atuais: «Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos». Numa sociedade marcada pela pressa, pela indiferença e pela divisão, o Anjo de Portugal recorda-nos a necessidade de regressar ao essencial.
Celebrar Portugal é também recordar esta dimensão espiritual da nossa história. Não somos apenas um povo de navegadores, de poetas ou de construtores de pontes entre culturas. Somos também um povo que, ao longo dos séculos, procurou reconhecer a presença de Deus no seu caminho.
Neste Dia de Portugal, olhemos para o futuro com gratidão e esperança. Que o Santo Anjo da Guarda de Portugal continue a velar pelo nosso país, pelas nossas famílias, pelos portugueses espalhados pelo mundo e por todos aqueles que fazem desta terra uma pátria de encontro, de fraternidade e de paz.
Que Portugal permaneça fiel à sua melhor vocação: ser uma terra aberta ao mundo, iluminada pela fé e guiada pela esperança. O Anjo que protege Portugal: a tradição única que poucos sabem que existe

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