O português que desafiou os Himalaias e revelou o Tibete ao mundo – Filho de Oleiros, no coração de Castelo Branco, o jesuíta António de Andrade tornou‑se, em 1624, o primeiro europeu a atravessar os Himalaias e a entrar no Tibete.
A sua expedição épica, feita entre neves eternas, reinos desconhecidos e perigos constantes, abriu uma nova janela para o “teto do mundo” e colocou Portugal no centro de uma das mais fascinantes aventuras da história.
Poucos portugueses conhecem o nome de António de Andrade, mas a sua história merece lugar entre as maiores aventuras da nossa memória coletiva. Nascido em Oleiros, no interior profundo de Castelo Branco, este jesuíta partiu para a Índia no início do século XVII e, anos mais tarde, decidiu enfrentar aquilo que muitos consideravam impossível: atravessar os Himalaias e descobrir o Tibete, um território quase lendário para os europeus da época.
O português que descobriu o Tibete: a incrível viagem do padre António de Andrade
Em 1624, disfarçado entre peregrinos hindus e acompanhado pelo também jesuíta Manuel Marques, iniciou uma travessia brutal. Subiu vales gelados, enfrentou tempestades de neve, fome, altitude extrema e ataques de bandos locais. Muitos desistiram pelo caminho. Ele continuou. E foi assim que, depois de semanas de sofrimento, chegou a Tsaparang, capital do reino de Guge, tornando‑se o primeiro europeu a pisar solo tibetano.
O que encontrou surpreendeu-o: um reino organizado, espiritualmente vibrante e aberto ao diálogo. O rei recebeu-o com honra, permitiu-lhe permanecer semanas e abriu portas a uma relação inédita entre dois mundos que até então se desconheciam quase por completo. Andrade regressou à Índia com relatos tão extraordinários que, em 1626, publicou Novo Descobrimento do Gram Catayo, obra que incendiou a curiosidade europeia sobre o Tibete.
Mas não ficou por aí. No ano seguinte, voltou ao reino de Guge e fundou a primeira missão católica no Tibete, um feito que ampliou ainda mais o alcance cultural e espiritual de Portugal na Ásia.
Hoje, Oleiros recupera a memória deste filho ilustre, celebrando-o como aquilo que verdadeiramente foi: um explorador visionário, um homem de fé e um pioneiro que levou o nome de Portugal ao “teto do mundo”.
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