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O Homem do Leme na Foz do Douro

O Homem do Leme na Foz do Douro é uma das estátuas mais emblemáticas do Porto — um tributo aos pescadores, virado para o Atlântico, junto à Praia do Homem do Leme. Fica na Avenida de Montevideu, mesmo na zona nobre da Foz, e é um ponto obrigatório para quem gosta de mar, fotografia e história local.

A história do Homem do Leme é um excelente retrato da identidade marítima do Porto: criado em 1934 por Américo Gomes para a Exposição Colonial Portuguesa, o monumento fez tanto sucesso que acabou fundido em bronze e instalado definitivamente na Foz do Douro em 1938. Hoje é um dos símbolos mais fortes da relação da cidade com o mar e com os seus pescadores.
A seguir, deixo-te a história completa — organizada, detalhada e com contexto que normalmente passa despercebido.

A história da escultura Homem do Leme

  • Autor: Américo Gomes (1880–1964).
  • Ano de criação: 1934.
  • Material original: Gesso, criado especificamente para a Exposição Colonial Portuguesa, realizada nos Jardins do Palácio de Cristal entre 16 de junho e 30 de setembro de 1934.
  • Encomenda: Feita por Henrique Galvão, comissário da exposição.
    A peça representava um pescador agarrado ao leme, símbolo de coragem e resistência — valores muito associados à visão nacionalista da época.

Sucesso imediato e decisão de perpetuar a obra

A escultura em gesso foi um dos grandes destaques da exposição, recebendo elogios públicos e críticos. O impacto foi tão forte que, após o encerramento da exposição, várias personalidades portuenses criaram uma Comissão para o Levantamento da Escultura na Foz do Douro, com o objetivo de a transformar numa obra permanente.

  • Fundição: Oficinas de Bernardino Inácio, em 1937.
  • Materiais finais: Bronze (figura) e granito (base).
    O molde original em gesso foi posteriormente entregue ao Museu Marítimo de Ílhavo, onde permanece como peça histórica.

Instalação na Foz do Douro (1938)

  • Localização escolhida: Avenida de Montevideu, frente ao Atlântico.
  • Inauguração: 27 de janeiro de 1938.
  • Motivo da localização: A Foz era (e é) uma zona profundamente ligada à vida marítima e aos pescadores — o cenário perfeito para a homenagem.

Significado artístico e simbólico

A obra representa: a força e determinação dos pescadores do Porto; o desafio constante do mar, aligação histórica da cidade à pesca e à navegação. Na época, chegou a ser considerada “uma das maiores revelações artísticas dos últimos tempos, no sentido da escultura nacionalista monumental portuguesa”.

Outras curiosidades:

  • O nome correto do escultor é Américo Gomes, mas por vezes aparece confundido com “Augusto Gomes” em algumas fontes — este último era pintor, não escultor.
  • A base em granito foi desenhada por Manuel Marques (1890–1956).
  • A estátua está classificada na Carta de Bens Patrimoniais do Porto, referência n.º 37.

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