Os Anciãos do Apocalipse em Ourense ou do Pórtico do Paraíso são um dos conjuntos escultóricos mais fascinantes da Catedral de Ourense. Representam a visão descrita no capítulo 4 do Apocalipse de São João, onde 24 anciãos rodeiam o trono divino tocando instrumentos e louvando a Deus.

Os Anciãos do Apocalipse no Pórtico do Paraíso (Catedral de Ourense) são 24 figuras que simbolizamos 24 livros do Antigo Testamento.
Os Anciãos do Apocalipse no Pórtico do Paraíso Catedral de Ourense (século XIII)

Os 24 Anciãos do Apocalipse aparecem nas arquivoltas superiores do arco central do Pórtico do Paraíso. São figuras alongadas, serenas, profundamente simbólicas, que formam um verdadeiro coro celestial. A sua presença transforma a entrada da catedral numa antecipação visual do Céu.
A inspiração vem do Apocalipse 4:4, onde São João descreve: vestidos de branco, com coroas de ouro e tocando instrumentos e louvando a Deus
Na arte medieval, estes anciãos representam a harmonia perfeita do Reino dos Céus.
Particulariedade na representação em Ourense:
- os anciãos estão sentados, em atitude contemplativa
- seguram e tocam instrumentos musicais medievais
- formam um semicírculo que envolve o visitante
- criam uma atmosfera de música silenciosa, mas visível
- O conjunto é um autêntico catálogo da música medieval: harpas, alaúdes, violas e saltérios além de instrumentos híbridos difíceis de identificar (muito típico do românico). Cada figura tem um instrumento diferente, reforçando a ideia de harmonia universal.
A policromia — aplicada no século XVIII e restaurada recentemente — devolve ao conjunto a sua vibração cromática original, tornando-o um dos portais mais coloridos da Península Ibérica.
Relação com o Pórtico da Glória (Santiago)
O Pórtico do Paraíso é claramente influenciado pelo Mestre Mateo:
- mesma estrutura tripartida
- presença dos Anciãos nas arquivoltas
- Cristo como figura central
- forte intenção catequética
Mas o conjunto de Ourense tem uma personalidade própria: mais compacto, mais intimista e com uma policromia mais exuberante.
Foto de Marisa Pérez Dorribo
»»»


