A Senhora da Pena em Vila Real – O Santuário está em Mouçós e Lamares (Vila Real), e é um dos locais religiosos mais emblemáticos do concelho e famoso pela sua romaria com os maiores andores do mundo carregados ao ombro. A festa decorre sempre em setembro e atrai milhares de visitantes.
Santuário da Senhora da Pena em Vila Real
Situa-se na freguesia de Mouçós e Lamares, em Vila Real e ali realiza-se a romaria anual entre 12 e 15 de setembro (datas típicas).
- As festas realizam‑se no primeiro ou segundo fim de semana de setembro, dependendo da organização anual.
- É organizada pela União de Freguesias de Mouçós e Lamares.
Os andores monumentais da Senhora da Pena
- Andores monumentais com 20 a 23 metros de altura, mais altos que a própria igreja.
- Carregados por cerca de 100 homens, pesando várias toneladas.
- Dança dos andores no final da procissão — um momento único em que os andores “saltam” no adro.
- Procissão de velas e encontro de bombos na sexta‑feira.
- Concurso Pecuário de Gado Maronês, um dos maiores da região.

A devoção à Senhora da Pena
Para a população local, a Senhora da Pena simboliza crescimento, maturidade e união, sendo um dos cultos marianos mais fortes do concelho. Atrai visitantes de todo o país, sobretudo emigrantes que não esquecem esta data histórica na sua cultura local. E merece ser visitada dada a dimensão dos andores como a energia da comunidade.
A devoção à Senhora da Pena, em Vila Real, tem raízes profundas que remontam pelo menos ao século XVIII e está intimamente ligada à identidade da comunidade de Mouçós e Lamares. A tradição cresceu a partir de práticas religiosas locais, evoluiu com o tempo e hoje é um dos símbolos culturais mais fortes de Vila Real, ao ponto de estar a ser formalmente estudada e candidata a Património Cultural Imaterial.
A origem e evolução da devoção a Nossa Senhora da Pena
Embora não exista um único documento fundador, a investigação recente — baseada em manuscritos medievais, registos paroquiais e periódicos dos séculos XVIII e XIX — mostra que:
- A devoção à Senhora da Pena já estava estabelecida no século XVIII, período em que surgem referências às primeiras romarias organizadas.
- O culto desenvolveu‑se em torno de uma imagem mariana venerada numa capela local, situada num ponto elevado (“pena” significa penedo/rocha), típico dos santuários de proteção.
- A festa anual tornou‑se um momento de coesão comunitária, reunindo lavradores, artesãos e famílias da região.
- Ao longo dos séculos, a romaria foi crescendo em dimensão, organização e simbolismo, tornando‑se a principal festa religiosa da freguesia.

O Santuário da Senhora da Pena foi sendo ampliado e restaurado ao longo do tempo, acompanhando o aumento da devoção.
- A capela atual é pequena para a afluência moderna — algo visível até na apresentação do livro O Andor da Senhora da Pena, História, Território e Identidade, que encheu completamente o espaço.
- O local é visto como espaço de proteção e maturidade espiritual, associado a pedidos de saúde, colheitas e prosperidade familiar.
A marca mais conhecida da romaria é o andor monumental, considerado um dos maiores do mundo carregados ao ombro:
- A prática dos andores existe desde o século XVIII, mas ganhou dimensão excecional ao longo dos séculos XIX e XX, acompanhando o orgulho e a rivalidade saudável entre lugares da freguesia.
- O andor atual ultrapassa os 20–22 metros de altura e pesa cerca de duas toneladas, sendo transportado por mais de 100 homens.
- A “dança dos andores”, no final da procissão, tornou‑se um momento identitário único, símbolo de força, fé e união.
Nos últimos anos, a tradição tem sido alvo de estudo aprofundado: Uma equipa multidisciplinar recolheu depoimentos, fotografias e registos históricos desde 2022, culminando na publicação do livro “O Andor da Senhora da Pena, História, Território e Identidade” e, em 2023, o Município de Vila Real submeteu a candidatura do andor ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, reconhecendo a importância desta tradição para a memória coletiva.
A história da Senhora da Pena não é apenas religiosa — é a história de um povo que, ao longo de séculos, transformou um culto local numa das romarias mais impressionantes de Portugal. A fé, o esforço coletivo e a criatividade deram origem a um património vivo que continua a crescer e a emocionar.
A lenda da Senhora da Pena
A lenda da Senhora da Pena, em Vila Real, é uma tradição oral antiga que explica a origem da devoção e reforça o caráter protetor da Virgem sobre o povo de Mouçós e Lamares. Embora não existam registos escritos formais da lenda, ela é transmitida de geração em geração e faz parte da identidade local, complementando a história documentada do culto.
“Há muitos séculos, quando a região era composta por pequenos povoados rurais, existia no alto de um penedo — a “pena” — um local considerado sagrado pelos habitantes. Era um ponto elevado, de onde se avistavam os vales e caminhos, e onde os pastores costumavam parar para descansar e rezar.
Conta a tradição que uma pastora jovem, humilde e muito devota, costumava subir ao penedo para rezar. Num desses dias, ao amanhecer, apareceu-lhe uma Senhora luminosa, envolta em luz suave, que lhe pediu:
- “Diz ao povo que aqui desejo ser venerada.”
A jovem, assustada mas confiante, desceu ao povoado e contou o sucedido. Muitos duvidaram — até que sinais começaram a surgir.
Ora, segundo a lenda, após a aparição:
- Uma fonte de água pura começou a brotar perto do penedo (a atual Fonte da Senhora da Pena, ainda usada nas festas)
- Animais doentes recuperavam quando ali eram levados.
- Luzes eram vistas no alto da rocha durante a noite.
Estes acontecimentos convenceram a população de que a aparição era verdadeira.
E foi assim que se deu a construção da capela
Movidos pela fé, os habitantes decidiram construir uma pequena capela no local indicado pela Senhora.
A lenda também diz que:
- As pedras que os homens deixavam em baixo apareciam misteriosamente no alto da pena na manhã seguinte.
- Interpretando isto como um sinal divino, concluíram que a capela deveria ser construída exatamente ali.
E Assim nasceu o primeiro templo dedicado à Senhora da Pena.
O papel protetor da Senhora da Pena
Ao longo dos séculos, a lenda reforçou a crença de que a Senhora da Pena:
- Protege as famílias e as colheitas
- Acompanha os jovens na passagem para a vida adulta
- Guarda os viajantes e emigrantes
- É símbolo de crescimento, maturidade e união da comunidade
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