A Capela Medieval da Póvoa de Mileu é um dos monumentos que melhor ajudam a caracterizar o que foi a arte tardo-românica portuguesa nas zonas mais interiores do país.
A sua construção deu-se no século XIII, após a transferência da sede diocesena egitanense para a Guarda, efectuada por D. Sancho I, mas as obras levaram ainda algum tempo a ser concluídas, facto que arrastou o estaleiro para as décadas finais desse mesmo século.
A ocupação do local onde o Românico levantou esta capela está documentada desde a época romana, período em que aqui se implantou uma villa, dotada de um templo onde apareceram fragmentos de estátuas imperiais.
As lendas propagadas por Frei Agostinho de Santa Maria, em inícios do século XVIII, fazem recuar a origem da capela ao início do cristianismo e o próprio termo “Mileu” a um suposto milagre ocorrido aquando da tentativa de assalto do templo por parte de soldados muçulmanos.
Gerhard Graf refere-se a uma provável construção do reinado de Chindasvinto, na segunda metade do século VII (GRAF, 1986, vol. I, p.94), mas, até ao momento, tal informação não está arqueologicamente confirmada.
Românico tardio na Capela medieval da Póvoa de Mileu
Esta pequena capela é um produto do Românico tardio e periférico, em que a escultura tende a simplificar-se ou mesmo a desaparecer e a estrutura é modesta, resistindo deliberadamente à introdução dos esquemas góticos mais ambiciosos.
De facto, a opção por uma planta longitudinal composta apenas por dois rectângulos, o da nave e o da capela-mor, é uma característica das mais pequenas igrejas rurais dos séculos XIII e XIV, ideia reforçada pela deficiente estruturação dos muros e sua respectiva intersecção.
A escultura limita-se aos capitéis do arco triunfal, cujos temas retomam o formulário românico, como o capitel onde se esculpiram duas aves afrontadas em torno da árvore da vida, e alguns elementos artísticos interessantes nas cachorradas das fachadas laterais.
Na sua singeleza e modéstia, a Capela da Póvoa do Mileu integra o capítulo final da arte românica, ao mesmo tempo que é um dos templos que prova como a hibridez de soluções românicas e góticas foi uma realidade para a arquitectura do século XIII, nas regiões mais periféricas do reino.
Aqui conjuga-se a sobriedade e robustez dos muros românicos com o arco triunfal apontado que permite uma melhor visibilidade da capela-mor; a temática românica dos seus capitéis com a tentativa de melhor iluminar o espaço, através de uma ampla rosácea sobre o portal principal.
Como chegar à Capela Medieval da Póvoa do Mileu
(40°32’37.34″N 7°15’26.16″W) R. Vila de Manteigas – Póvoa do Mileu – Guarda – sub-região da Beira Interior – região Centro – Portugal
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Por ©Daniel Jorge https://www.facebook.com/fotos.djtc
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