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Quinta-feira, Fevereiro 12, 2026

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Seguro – a utilidade da liderança política

Seguro – a utilidade da liderança política – O Partido Socialista decidiu comunicar publicamente o seu apoio à candidatura à Presidência da República de António José Seguro.

Permitiu que ao longo do tempo se anunciassem outros pseudos candidatos que entretanto foram desistindo e acaba por “apoiar formalmente” quem lhe não pediu apoio. Mas Seguro merecia do PS um apoio mais claro e evidente e, já agora, mais entusiasmante.

Os equilíbrios internos obrigam a Direcção Nacional a tecer laços e, num caminho de “pacificação” à moda de Baião, vai tentando “levar a água ao moinho” no dia em que houver eleições, marcadas pelo futuro Presidente da República.

O poder de dissolver a Assembleia de República foi sempre visto nestes últimos mandatos como a “bomba atómica” do Presidente num ambiente de “irritação permanente” que o PS não esqueceu mas provavelmente não percebeu.

Se o tivesse entendido veria que a possibilidade de António José Seguro na Presidência é um garante da “estabilidade parlamentar”, no respeito pelas regras da República isentas que estarão da “interpretação pessoal” da figura de Belém.

Perante o tsunami que o ainda presidente foi para o Partido Socialista por que razão demorou o partido a acolher e apoiar António José Seguro?

A história de Seguro no PS

Não pergunto às pessoas de onde vêm, pergunto para onde querem ir.”

António José Seguro iniciou a sua carreira política na Juventude Socialista e percorreu um longo caminho até à liderança do Partido Socialista e à atual candidatura à Presidência da República. O seu percurso é marcado por dedicação às causas sociais, europeísmo e institucionalismo democrático.

  • Foi Secretário-Geral da JS, onde se destacou pela defesa dos valores democráticos e pela promoção da participação cívica dos jovens.
  • Ocupou cargos relevantes como:
  • Presidente do Conselho Nacional de Juventude
  • Presidente do Fórum de Juventude das Comunidades Europeias, reforçando o seu perfil europeísta.
  • 1991: Eleito pela primeira vez como Deputado à Assembleia da República.
  • 1995–2002: Durante os governos de António Guterres, desempenhou funções como:
  • Secretário de Estado da Juventude
  • Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro
  • Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro no XIV Governo Constitucional (2001–2002).
  • Foi Deputado ao Parlamento Europeu entre 2002 e 2006, onde se envolveu em temas de cidadania europeia, educação e juventude.
  • Presidiu à Comissão de Assuntos Constitucionais do Parlamento Europeu, reforçando o seu perfil institucional.

Liderança do Partido Socialista

Liderou o Partido Socialista de 2011 a 2014 ano em que acabou por enfrentar António Costa após eleições primárias internas. Foi derrotado e regressou à sua vida particular e profissional de onde só agora regressou para a política nacional.

António José Seguro – A necessidade da liderança política

Na entrevista concedida à SIC esta semana Seguro referiu a “necessidade da liderança política” num contexto de desgaste da democracia e da República enfrentando os perigos dos extremismos e do populismo.

Evitando regressar a 2014 para tratar das suas relações com António Costa, sublinhou a “liderança política” como essencial no nosso país. Seguro tem presente o trauma político de 2014 embora o negue, mas trata-se de um dado histórico e relevante para entender a política em Portugal desde essa data.

A “geringonça” de 2015, liderada por António Costa, trouxe inovação ao sistema político português, mas também gerou efeitos controversos que alguns analistas consideram nocivos à qualidade democrática, sobretudo no plano institucional e da representatividade.

Tradição Democrática posta em causa

  • Pela primeira vez desde o 25 de Abril, o partido mais votado (PSD/CDS) não formou governo. O PS, segundo classificado, assumiu o poder com apoio parlamentar do BE, PCP e PEV, sem coligação formal.
  • Esta solução, embora constitucional, rompeu com a prática democrática consolidada de respeitar a legitimidade eleitoral da força mais votada.

Divisão ideológica e instabilidade parlamentar

  • A “geringonça” acentuou a divisão ideológica entre blocos de esquerda e direita, dificultando consensos transversais.
  • Criou uma dependência parlamentar instável, sujeita a negociações pontuais e tensões internas, como se viu na rejeição do Orçamento de Estado em 2021.

Enfraquecimento da Fiscalização parlamentar favorece interpretação presidencial

  • A ausência de uma coligação formal levou a uma redução da fiscalização interna, pois os partidos apoiantes evitavam confrontar o governo para manter a estabilidade.
  • Esta dinâmica pode ter fragilizado o papel da oposição e o escrutínio parlamentar, pilares essenciais da democracia representativa.
  • A formação do governo por um partido que não venceu as eleições gerou perceções de desvalorização do voto popular, alimentando discursos de desconfiança nas instituições.
  • Segundo alguns analistas, isso contribuiu para uma erosão da cultura democrática, substituindo o debate plural por estratégias de exclusão.

Os caminhos de hoje

António José Seguro não teve pois qualquer papel na destruição do consenso do sistema democrático portuguès e sobretudo com a inversão conveniente da leitura dos resultados eleitorais, pondo fim a um modelo de representação da República que se protegia a si mesma.

Seguro está assim fora dos movimentos que fizeram com que o PS fizesse crescer o Bloco de Esquerda e consequentemente abrir a fissura à direita com o aparecimento do CHEGA.

O extremismo político e o populismo desenfreado nasceram com as alterações das regras de funcionamento do Parlamento, da passagem da confiança no “arco da governação” para o oportunismo tácito das maiorias possíveis/eventuais na Assembleia da República.

Desse jogo e por causa dele caiu o PS e o seu Governo (de maioria absoluta) no colo do Presidenete que entende as suas convicções pessoais como constituintes do Direiro Constitucional.

Assinalamos assim, com agrado, o regresso de António José Seguro. Primeiro a à Politica que bem precisa dele; segundo à corrida a Belém, colocando na campanha eleitoral uma leitura da realidade política verdadeiramente ao centro dispensado que está de “pagar favores” a apoiantes. Arrancou sozinho com a audácia de Jaime Sampaio. E merece o mesmo destino, até Belém.

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