Barrô – a igreja particular de Barrô e o seu fantástico portal românico – Este portal axial em arco apontado de três arquivoltas, com capitéis decorados com elementos vegetalistas.
Também exibe um tímpano decorado com uma bastante elaborada cruz vazada; na parte superior observam-se três bustos humanos que originalmente serviam de mísulas a um desaparecido alpendre.
A origem da igreja de Barrô
Sobre a origem desta igreja pouco ou nada existe, mas segundo alguns estudiosos temos referencias que remontam ao século XII a fundação da Igreja de Barrô como igreja particular de Egas o Aio, que lhe veio às mãos por doação real.
Nada sabemos sobre o que então se edificou, transformou ou se apenas foi dada continuidade ao culto, praticado, talvez, num templo já existente.
Egas Moniz tenente de São Martinho de Mouros
Egas Moniz foi tenente de São Martinho de Mouros, pelo menos, entre os anos de 1106 a 1111 e governador da região de Lamego entre 1113-1117 – e talvez até mais tarde.
Tendo conseguido afirmar-se politicamente no reino em construção, Egas Moniz, dos de Ribadouro, fez copiosas dádivas a institutos religiosos, sendo de destacar o Mosteiro de Paço de Sousa (Penafiel), onde se fez sepultar.
É, pois, neste contexto que devemos entender a doação do padroado da Igreja de Barrô feita por D. Sancha Vermudes, nora de Egas Moniz, à Ordem dos Hospitalários, em 1208.
Esta informação é encontrada nas Inquirições Gerais de D. Afonso III feitas ao concelho e julgado de São Martinho de Mouros, datadas de 1258: quando questionado, Egas Mouro esclareceu os inquiridores que a Igreja de Santa Maria de Barriolo era dos frades hospitalários que apresentavam na dita igreja.
Barrô – a igreja particular de Egas Moniz
A Igreja, composta por nave única e capela-mor retangular, encontra-se implantada num terreno voltado ao rio Douro, de acentuado pendente, pelo que a fachada principal se encontra a uma cota mais baixa do que a capela-mor, aspeto compensado internamente pelos dois degraus que permitem o acesso da nave à capela-mor.
É no exterior que conseguimos identificar de forma mais assertiva os elementos que nos permitem afirmar que esta Igreja foi edificada num momento tardio do românico português, tendo-se nela introduzido já algumas componentes que irão caracterizar aquilo a que se tem vindo a designar por primeiro gótico rural.
Desde logo se impõe a fachada principal, organizada em quatro registos delimitados por três molduras colocadas na continuidade das impostas do portal principal, do janelão superior e, uma outra, na base deste.
Adotando uma estrutura muito pouco comum na região, a fachada é composta, ainda, por dois vãos que se sobrepõem – o portal e a rosácea já proto gótica, formada por círculos – numa composição que desde logo nos remete para uma proximidade formal com a Sé Velha de Coimbra.
A escultura adotada nos capitéis do portal, de temática vegetalista e floral, anuncia já uma nova estética, a gótica, pois os seus motivos, já bem naturalistas, colam-se muito ao cesto. Também as esbeltas colunas que os sustentam nos aproximam deste novo momento da história da arte da Idade Média.
É grande a variedade de cachorros que encontramos em Barrô. Do lado norte recebem decoração variada, enquanto do lado oposto são tendencialmente lisos.
No interior da Igreja impera o granito e as dimensões da nave e da capela-mor, particularmente ao nível da sua altura, anunciam-nos já o gótico.
Tal facto é-nos confirmado pela ampla abertura do arco triunfal que, apesar da estética ainda muito românica dos seus capitéis, nos fala já de uma outra liturgia.
Este é uma das Igrejas que integra a Chamada Rota do Românico (Rota do Vale do Douro) (http://www.rotadoromanico.com/)
Como chegar à igreja de Barrô
(41° 7’44.39″N 7°52’57.40″W) Barrô – Resende – Viseu – Região Norte – Portugal
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Por ©Daniel Jorge https://www.facebook.com/fotos.djtc
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