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O São Gonçalinho de Amarante

O São Gonçalinho de Amarante ou os famosos e irreverentes doces fálicos de São Gonçalo de Amarante — uma mistura deliciosa de tradição, ousadia e humor popular.

Conhecidos por nomes como quilhõezinhos, colhõezinhos ou até caralhinhos de São Gonçalo, estes doces têm o formato explícito de um falo e são vendidos durante as festas em honra do santo, especialmente no primeiro fim de semana de junho. Apesar do seu aspeto provocador, são uma expressão bem-humorada de antigos rituais de fertilidade que remontam a tempos pré-cristãos.

Origem e Significado do São Gonçalinho de Amarante

Acredita-se que estes doces tenham raízes em cultos pagãos ligados à fertilidade, que foram mais tarde absorvidos pelas tradições cristãs locais. Como São Gonçalo é considerado o casamenteiro das “encalhadas”, os doces tornaram-se uma espécie de oferenda simbólica — e um presente sugestivo entre pretendentes.

Durante o Estado Novo, foram alvo de censura por serem considerados obscenos, mas resistiram ao tempo e hoje são um ícone cultural da cidade. Há até versões gigantes, com mais de um metro, que arrancam gargalhadas dos visitantes.

Como são feitos?

A receita varia, mas geralmente são feitos com massa doce à base de ovos, farinha, manteiga e açúcar. Depois de moldados no formato característico, são pincelados com calda de açúcar e decorados com açúcar em pó. Algumas versões até têm recheio.

Tradição viva

Hoje, os doces fálicos são vendidos em pastelarias, feiras e até como souvenirs. São um exemplo perfeito de como o povo português sabe rir de si mesmo — e transformar o sagrado e o profano numa celebração única.

Se fores a Amarante durante as festas, não te esqueças de trazer um “São Gonçalinho”… e, como diz a quadra popular:

“Se fordes ao S. Gonçalo

Trazei-me um S. Gonçalinho.

Se não puderdes co’ele grande,

Trazei-me um pequenininho!”

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