Os Romeiros de São Gonçalo de Amarante são o coração pulsante das Festas do Junho, celebradas todos os anos no primeiro fim de semana de junho.
Esta tradição secular remonta pelo menos ao século XVI, quando peregrinos de todo o Norte de Portugal se deslocavam a Amarante para prestar homenagem a São Gonçalo — conhecido tanto como curandeiro de verrugas (os “cravos”) como casamenteiro, especialmente das mais velhas.
Durante o Desfile dos Romeiros, grupos folclóricos trajados a rigor percorrem as ruas da cidade ao som de concertinas e violas amarantinas, transportando cestos de cravos vermelhos — símbolo de devoção e promessa ao santo.
O cravo, além de representar as verrugas que se pedem para curar, está também ligado à Paixão de Cristo, reforçando o lado espiritual da celebração.

O desfile culmina na Igreja de São Gonçalo, onde se realiza uma eucaristia solene. A procissão e a bênção à cidade encerram o evento, num ambiente onde o sagrado e o profano se entrelaçam com alegria e fé.
É uma festa que mistura tradição, música, fé e uma boa dose de folia — e que continua a atrair milhares de visitantes todos os anos. Já alguma vez assististe ao desfile ao vivo? É uma experiência que fica na memória.
A festa dos Romeiros de São Gonçalo de Amarante tem raízes profundas na devoção popular que remonta à Idade Média, logo após a morte de São Gonçalo, por volta de 1259. A sua fama de santidade espalhou-se rapidamente, e peregrinos de várias regiões começaram a deslocar-se até à sua ermida — hoje a Igreja de São Gonçalo — para venerar os seus restos mortais e pedir intercessão.
Com o tempo, estas peregrinações espontâneas transformaram-se em romarias organizadas, especialmente a partir do século XVI, quando a devoção ao beato se intensificou com a construção do convento dominicano em sua honra. Os romeiros vinham de localidades como Guimarães, Vila Real, Mondim de Basto e Felgueiras, trazendo oferendas como velas de cera ou ramos revestidos de cera de abelha1.
A tradição dos cravos vermelhos — símbolo de promessas e curas, especialmente de verrugas — também se enraizou nesse contexto. Os cravos passaram a ser levados em cestos durante o desfile dos Romeiros, que se tornou um dos momentos mais emblemáticos das Festas do Junho.

Hoje, a festa mantém esse espírito de fé e folia, misturando o sagrado com o profano, e continua a ser uma das maiores expressões culturais e religiosas do Norte de Portugal. É uma celebração que honra a memória de um homem que, mesmo sem ter sido canonizado oficialmente, conquistou um lugar eterno no coração do povo.


